autorretrato no espelho de adelaide ivanova

 

acompanho o blog da adelaide ivánova, pernambucana e atual habitante de berlim, desde a época dos finados conselhos da “dra. vodca”. além disso, já escrevi carta, mandei uma foto desfocada de um dos gatos da minha tia, o shiro (しろ), na qual só escrevi baboseiras da (minha) vida, li tudo, voltei no arquivo do blog não uma, mas algumas vezes, pensei em imprimir frases que ela escreveu e colar na minha testa, como lembretes eternos.
ela às vezes escreve para o suplemento pernambucano e é autora de coisas como essa:


todo dromedário é triste
eu vi num circo
e garcia marquez confirmou e eu
sublinhei com caneta azul
e
pouco importa se no meu ipod
depois de madonna vem pj harvey
ajustando euforia e depressão
bem a meu gosto
porque
no fim das contas
eu chego em casa
e
quero sair de novo.

não tem lugar.

 

 
foto de flor por adelaide ivanova
pessoas em museu por adelaide ivanova
parede com fotografias de adelaide ivanova
pés em um lago por adelaide ivanova

 

para além das fotografias, o que mais me chama a atenção é seu processo de feitura. suas várias referências; visuais, de literatura, musicais, etc (os quais dá pra se ter uma noção pelo blog citado anteriormente), que dão um panorama da complexidade do que muitas vezes é considerado banal. usando a fotografia como base, suas interpretações do mundo  seja por meio da escrita, das fotos ou dos posts no blog  nos tomam de surpresa e fazem refletir (acabo de pensar e trata-se de reflexão tanto do pensar quanto de se refletir, sabem?). acho que aqui, a coisa é acompanhar, é todo um processo e suas ideias, textos e imagens são entrelaçados, e é uma delícia poder fazê-lo. obrigada, ivi.

ps.: ela acabou de começar outro saldão!

 

por mariana t.k.
olho–roxo / mtk