que difícil escrever essa introdução!
isis daou é uma amiga queridíssima que conheço, admiro e adoro muito já há mais de dez anos, acredito eu. quando a conheci, vivíamos num universo recheado por blogs pessoais e posts dramáticos no livejournal & no tabulas. também pelo fotolog, é claro. tínhamos apelidos internéticos e trocávamos cartas que sempre iam e vinham com desenhos ou fotos.
designer, ela está voltando de um intercâmbio na alemanha, desenvolvendo o projeto de TCC sobre o uso da bicicleta no rio de janeiro, o qual vocês podem conhecer aqui aquipude reencontrá-la mês passado, quando estive no rio a trabalho, e foi ela quem deu a ideia de mandar a entrevista via correio, para que ela respondesse no próprio papel e me enviasse de volta. dito e feito. zi (pensei em inúmeros outros modos de te chamar, mas fiquei com o mais recente haha), obrigada por existir (e ter aceitado participar do projeto!) 
abaixo, vocês conhecem um micropedacinho da pessoa incrível que ela é:



 

entrevista transcrita
 
Qual foi o último presente que você se deu?
Uma mochila. Eu sou pouco consumista, compro pouca coisa pra mim e acho tudo caro. Usei por uns 4 anos uma mochila que minha irmã se desfez, e mês passado achei que já era hora de eu mesma pagar por uma. Fui atrás de algo durável, simples, resistente e impermeável, pra poder levar na bicicleta até debaixo de chuva. Acabei entrando numa loja de artigos importados da Ásia, linda e caríssima. Me apaixonei por uma mochila que era tudo que eu não queria: cara, de tecido frágil, pouco prática e cheia de detalhes. Amor não se explica, acho.
 
[D]O que você mais gosta no seu quarto?
Estou há 2 semanas fora do quarto que considero “meu” hoje, no Rio, então tive de pensar um pouco. Esse ano eu tomei certo tempo para refazer o meu quarto a fim de me sentir realmente em casa, depois de um ano e meio fora, e hoje gosto de várias pequenas coisas nele. Acho que o mais marcante continua sendo um pôster que fica bem em cima da minha cabeça, na cama: é de um quadro do Magritte chamado “Castle in the Pyrenees”. Minha mãe fica horrorizada com a ideia de uma pedra tão grande simbolicamente em cima de mim, mas o que eu gosto é o fato de ela flutuar.
 
O que te aconteceu de bom nesses últimos dias?
Epifanias, eu diria. Eu já sou uma pessoa muito reflexiva (talvez em excesso) e me meti num período introspectivo nas últimas duas semanas, na casa de serra em que cresci. Vir pra cá me fez pensar muito no futuro, por estar rodeada do passado em que vivi por dezoito anos. Acho que entendi melhor o tipo de pessoa que eu fui e que quero me tornar, por mais clichê que isso soe. E várias possibilidades de futuro que me confortam e inquietam também.
 
Se pudesse estar em qualquer lugar no mundo agora, onde estaria, e por quê?
Passei por uns lugares muito paradisíacos ano passado, mas talvez por estar bem quieta nos últimos dias, lembrei de uma pracinha pequena e inesperada no meio de Londres, Covent Garden, acho. Lembro que fiquei surpresa e admirada de achá-la no meio de ruas tão movimentadas, e tinha um teatro pequeno numa das pontas, com Matilda em cartaz. Londres é uma dessas cidades efervescentes em que você sente, mesmo de passagem, que faz parte de algo.
 
O que te move?
O criar. Eu já passei e ainda passo por todo tipo de crise de identidade e profissão na vida, mas o aspecto da criatividade para atingir as pessoas de forma positiva esteve sempre presente. Acho que posso transitar por muitos mundos, mas no momento em que perder a vontade criativa, me perco também. Criatividade também vive presente no dia-a-dia comum, na forma como percebemos o outro e construímos relações, e até como lidamos com nós mesmos. O “criar” pra mim é uma luzinha que fica acesa internamente, o tempo todo, até o fim.


por mariana t. k.