juliana, que pra mim é j., jln, j u l i a n a & variantes, um prisma que brilha no sol e reflete arco íris. nossa amizade/ligação vem de um causo particularmente bastante importante na minha vida, uma das mais impactantes e significativas até hoje; foi em 2014 que começamos a trocar longos e-mails, com relatos do dia a dia, pensamentos aleatórios, indignações e espelhamentos de algum tipo. não nos conhecemos pessoalmente ainda, porém sua presença na minha caixa de entrada é guardada a chaves de ouro & glitter, e só espero que isso se propague e se estenda ao máximo possível. j., obrigada pelas respostas, pelo carinho, cuidado, pelo caderno feito 100% à mão, pelas conchas, confidências, palavras e escritos. o mais bonito dos sentimentos,
transbordante,
m.

 

entrevista manuscrita lois

 

 

entrevista transcrita

 

Você costuma se lembrar dos sonhos que tem? Pode me contar sobre um deles?
De modo geral, não me recordo facilmente dos sonhos que tenho durante a noite; acabo sentindo a necessidade de reservar alguns instantes, ainda deitada, após meu despertar, para tentar me lembrar de algo. Às vezes consigo lembrar de grande parte dos sonhos, mas na maioria dos casos, de apenas alguns fragmentos. Um sonho que realmente me marcou – está anotado num pequeno caderno que mantenho sobre sonhos – tinha como cenário uma comunidade quase que utópica (parecida com a ideia de bolo’bolo); lembro-me de uma grande casa feita de madeira, um imenso campo de centeio e uma frase que ecoou por fim, “Me encontre na fronteira”.

 

Que hábitos seus você considera meio “incomuns”?

Bem, “incomum” sempre acaba tendo relação com o subjetivo hahaha. É difícil dizer o que é ou não comum tratando-se de hábitos, até mesmo cheguei a perguntar para algumas pessoas devido à dificuldade e nenhuma delas pôde me ajudar! Posso, então, afirmar que sou alguém extraordinariamente comum? hahaha. Acho que posso incluir no rol de hábitos “incomuns” o fato de preferir subir escadas a escadas rolantes, carregar sempre um caderno de anotações mesmo sabendo que não vou utilizá-lo, comprar lápis e canetas que não vou usar…

 

O que você tem escutado (qualquer coisa!) ultimamente?
Nessa semana tentei organizar minha vida perante à música, aproveitando as férias da faculdade – isso inclui minhas discografias no notebook, minhas músicas favoritas no spotify e minhas playlists perdidas em várias plataformas (winamp, youtube), em vão haha, é impossível ajeitar tudo isso! Com as falhas tentativas, acabei (re)encontrando Morton Feldman e me maravilhei com algumas composições que jamais havia escutado. Também estou ouvindo Jackson C. Frank, descoberta feliz de um folk tão bom quanto o de Nick Drake.

 

Você tem algum arrependimento…? Qual? :s

Acredito que todos temos arrependimentos, sejam eles pequeninos ou grandiosos. Talvez meus pequenos arrependimentos estejam voltados à ideia do que poderia ser feito/realizado/dito e não o fiz. O “E se…?” vai e vem em dados momentos, trazendo um pouco de angústia e inquietude. Ainda que me perpassem essas pequenas centelhas de arrependimento, não considero possuir um real arrependimento.

 

Quais são suas palavras/frases favoritas, hoje?

Valem citações e notas de leituras atuais? haha. Dependendo do livro que estou lendo, a vontade é de grifá-lo por inteiro ou de enchê-lo de post-its, de tanta frase que toca (lá fundo) ou que expressa tão precisamente uma ideia ou sensação. Talvez a frase que mais ecoa em mim nestes dias seja: “Caminhar nos impede de esquadrinhar as perguntas sem resposta, ao passo que no leito somos capazes de ruminar o issolúvel até a vertigem.”, um trecho do primeiro livro de Emil Cioran. Já sobre palavras favoritas, é fácil eu me encantar por algumas específicas (não só pelo significado, mas também pela sonoridade), hoje assaltou-me a palavra “inóspito”, que ganhou vida com o vento que brada, momentos antes da chuva cair, e faz farfalhar as folhas, algumas estalando ao bater contra a janela, juntamente com o som das primeiras gotas que caem com força… inóspito.

 

por mariana t. k.