a primeira informação que recebemos quando começamos a estudar psicologia é a de que tudo é sobre o inconsciente. tudo é sobre o oprimido, o reprimido, o não dito e o não feito. a psicodelia não é somente sobre se desligar, é um conceito sobre o não cerebral, o não racionalizado, a parte em todos nós que não é influenciada pelo consciente, logo, não sofre culpa ou censura.

 

my bloody valentine

frequentemente é dito que a arte que mais toca o inconsciente é a música. my bloody valentine é uma banda conhecida pelo shoegazing e a psicodelia, além de ser um ícone da contracultura. muitas vezes no som psicodélico é impossível decifrar precisamente o que o cantor diz, é como aquela palavra que vamos falar e de repente esquecemos e dizemos que está “na ponta da língua”. “my bloody” e muitas outras bandas exploram essa possibilidade de interpretação: o que é dado a nós e o que é fabricado pela nossa perspectiva? pode ser também um simples mantra, as ondas que vão e voltam também evocam a meditação, que retorna de novo para o interior, o intocado.

 

My Bloody Valentine

 

“mbv” é uma das minhas bandas favoritas, apesar do som pesado que normalmente não me agrada. então, o que é que me tocou? para mim, o mundo deles mexe bastante com a psique feminina, do indefinível, do complexo e, na maioria das vezes, apenas intuitivo. músicas como “soon”, “loomer”, “new you”, “blown a wish”, “lose breath”, “in another way”, “come in alone”, “only tomorrow”, para citar algumas favoritas, dizem muito para mim, sensorialmente. em um mundo onde sempre tem alguém falando por nós, mulheres, inclusive no feminismo, é um alívio entrar em um “espaço” onde as conclusões são minhas, estar onde posso ouvir a mim mesma, pensar por mim mesma. é claro, também sou muito fã de musicistas que dizem tudo o que eu quero dizer, aos berros ou sussurros, com guitarra ou piano, como leslie feist, chan marshall, polly jean harvey ou fiona apple, depende do que quero alcançar como experiência. muitas bandas fazem o tipo de som do qual falo tão bem quanto my bloody valentine, mas para mim, talvez não tão bem no quesito sentimental, de manter ondas sonoras perto de algo atemporal e romântico.

 

bilinda butcher por roberto zava

bilinda butcher por roberto zava

bilinda butcher por steve double

bilinda butcher por steve double

 

mas não importa a banda, o mais interessante é ir para o seu mundo, de maneira lúcida, absorvendo ativamente, e então, poder retornar para o mundo dos sons de carros e obras, mais confiante e menos suscetível ao caos externo. a repetição sonora desenvolve-se como um lembrete de quem você é para si, uma orientação de como se autopreservar. 

 

 

Michael Rougier (at left, on assignment in Tokyo) and correspondent Robert Morse Read more: Teenage Wasteland: LIFE Magazine Photos of Young Japanese Rebels, 1964 | LIFE.com http://life.time.com/culture/japanese-youth-in-revolt-1964/#ixzz3GzlsA4AK

da série teenage wasteland: portraits of japanese youth in revolt, 64, por michael rougier e robert morse

In 1964, LIFE photographer Michael Rougier and correspondent Robert Morse spent time documenting one Japanese generation's age of revolt 1

da série teenage wasteland: portraits of japanese youth in revolt, 64, por michael rougier e robert morse

In 1964, LIFE photographer Michael Rougier and correspondent Robert Morse spent time documenting one Japanese generation's age of revolt 2

da série teenage wasteland: portraits of japanese youth in revolt, 64, por michael rougier e robert morse

 

“música é incrível. há um conforto metafísico que permite você se isolar e estar sozinho, ao mesmo tempo que diz que você não está sozinho… realmente, a única cura para a tristeza é compartilhá-la com outra pessoa.”
wayne coyne (the flaming lips) 

 

“psicodelia não é um mundo alcançável só através de alucinógenos, mas alcançável também questionando o que pensamos que é real e certo, desafiando-nos sobre as convenções de forma e temperamento… eu descobri a psicodelia e ela parecia ter propriedades de autoajuda que permitiram que eu desapegasse de um orgulho imobilizante de classe trabalhadora, o que estava cimentando uma identidade falsa na minha psique, impedindo que eu me transformasse.”
trish keenan (broadcast)

 

“o que me empolga agora é o vocal feminino brincando com as palavras e as vocalizações, e ao mesmo tempo conseguindo se prender a preocupações filosóficas mais profundas.”
trish keenan (broadcast)

 

Broadcast live in Cologne October 2005 Gebaeude 9

trish keenan, vocalista do broadcast

trish keenan

trish keenan

 

por natalia mello