matheus chiaratti

 

Se a primavera fosse uma cor eu diria que é amarela. Amarelo solitário que desponta em uma tarde depois da tempestade, à gosto. Eu diria que o amarelo primaveril é um estrondo de força, é um amarelo cádmio e febril que estanca todo o cinza de todo ano.

Estivemos com força, explicando a paisagem. Eu não sei dizer do belo da paisagem noutro idioma que não seja o meu, nos esforçamos para entender o emaranhado em palavras enroladas como galhos superpostos, camadas de verde e um azul sutil da chuva que banhou o jardim há alguns dias. Ela se enrolou o vestido em uma trama de rosa, rasurou o joelho, desfez o vestido em espanto de nudez, segundos ou menos.

(A primavera é uma cena de Rohmer ou uma pincelada de Joan Mitchell, que morava em França e morreu em França, em Giverny, ao lado de um jardim muito espesso que certamente lhe inspirou toda a sua obra. Assim, os girassóis de Van Gogh, que mais que girassóis – amarelos em muitos tons – diziam mais dele do que da natureza morta em si mesma. Eu digo, a natureza é o emaranhado de um, mesmo).

Ela se cortou com as flores e se refez com as flores. Depois descobri que o jardim era ela. E tudo se fez setembro.

 

flores matheus chiaratti

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texto e fotos por Matheus Chiaratti