o ícone inspirador da frase “freud explica”, sigmund freud, o pai da psicanálise, foi uma das figuras mais revolucionárias e controversas do século XX. revolucionário por trazer à vida questões sobre a sexualidade infantil e controverso por essa ideia ter gerado repulsa e revolta aos médicos de sua época. entre seus achados mais notáveis destacam-se os estudos de histeria, a interpretação dos sonhos, o nascimento do complexo de édipo e principalmente, a designação do inconsciente. este último, tão temido e ironicamente tão presente, é a cerne de toda a teoria psicanalítica.

 

retrato do psicanalista sigmund freud

 

freud se interessou em trabalhar com as mulheres ditas histéricas que, antes dele, passavam por procedimentos abomináveis desde o uso de camisas de força à tratamentos de choque em banheiras com gelo. no início utilizava a hipnose para acessar o inconsciente de suas pacientes mas posteriormente desenvolveu outro método: o da associação livre. sigmund percebeu que essas mulheres precisavam ser ouvidas em plena consciência, então, passou a incentivá-las a “falar o que viesse à cabeça”. nasceu então, uma clínica baseada na escuta, livre de pré-julgamentos e movida à compreensão. não é a toa que para muitos a psicanálise é vista como a clínica do amor.

 

divã de freud couch

 

neurótico assumido e de carteirinha, “sigi” (como era chamando intimamente e carinhosamente pelos seus familiares) deu à luz ao famoso livro “a interpretação dos sonhos” praticamente através da autoanálise. claro que utilizava o conteúdo dos sonhos expressos por seus pacientes também, mas foram os seus que deram início à obra. percebeu que os sonhos são repletos de materiais simbólicos, dignos de interpretação vindos do inconsciente. nada mais nada menos que desejos inconscientes reprimidos por nós.

sigi se casou com martha, com quem manteve um namoro de 5 anos através de cartas extremamente românticas. sempre foi fiel à namorada e futura esposa com quem teve seis filhos.

 

retrato do casal sigmund e martha freud

 

entre seus filhos, sophie “a preferida da mãe” e anna “a caçula rejeitada pelos irmãos e a preferida do pai”. anna foi a única entre os filhos de freud que seguiu seus passos. desde pequena se interessava pelas conferências psicanalíticas, e na vida adulta dedicou-se a psicanálise infantil tornando-se pioneira no assunto. anna era muito ligada ao pai e cuidou do mesmo nos seus últimos anos de vida.

 

retrato de anna freud

retrato de sigmund e anna freud 1913

freud e sophie

 

nesses ultimos anos, freud tinha outro companheiro muito fiel, seu lindíssimo chow-chow jofi. durante as sessões, jofi permanecia sentado ao lado da poltrona de freud e arranhava a porta como sinal de alerta para avisar que a sessão havia terminado. sigi dizia que jofi tinha um efeito calmante, principalmente em crianças, fazendo com que os pacientes respondessem à análise mais abertamente e com ternura. “os cães amam seus amigos e mordem seus inimigos, diferente dos humanos, incapazes do amor puro e sempre misturando amor e ódio em suas relações”.

 

retrato sigmund freud

freud e jofi

 

para quem tem interesse no nascimento da psicanálise indo da histeria à simbologia dos sonhos, recomendo o buenisímo filme do john huston freud: the secret passion (“freud além da alma”, no brasil), indicado ao oscar de melhor trilha sonora e melhor roteiro orginial do ano de 1963.

 

Imagem de Amostra do You Tube

 

por kati ferreira